
Bárbara Virgínia (1923-2015) foi a primeira mulher a realizar uma longa-metragem sonora em Portugal, tinha apenas 22 anos. Esse filme, TRÊS DIAS SEM DEUS, foi escolhido para representar Portugal na primeira edição do festival de Cannes, em 1946. As razões dessa realização precoce prendem-se com uma série de acasos que fizeram desaguar nas mãos de Bárbara Virgínia o cargo de direção. Ou seja, só mesmo por acaso foi possível que uma mulher, em pleno Estado Novo, tenha tido a oportunidade de assumir tal função. Passariam várias décadas até que outra mulher voltasse a assinar uma longa-metragem no nosso país - essa mulher seria Margarida Cordeiro e esse filme, TRÁS-OS-MONTES, de 1976, corealizado com António Reis. Além de realizar, Bárbara Virgínia protagonizou o filme (no papel da professora primária Lídia), foi corresponsável pelo argumento e assegurou os solos de piano. Dos 102 minutos originais sobrevivem apenas fragmentos do negativo de imagem que perfazem 32 minutos (foram identificados identificados recentemente mais 6 minutos), sem som. O único material sonoro (recentemente descoberto) referente ao filme que sobreviveu corresponde ao trailer promocional para o mercado brasileiro, de 1949. Para além de TRÊS DIAS SEM DEUS, está atribuída a Bárbara Virgínia a curta-metragem ALDEIA DOS RAPAZES ORFANATO STA. ISABEL DE ALBARRAQUE. Terá colaborado, também, em NEVE EM LISBOA, de Raúl Faria da Fonseca.
Onde esta estrela brilhou mais alto
Créditos em realização e produção